Serra do Rio do Rastro - Santa Catarina - SC-439
Dia 07/01
Manhã de chuva forte até o momento da saída do ponto de encontro, rodamos até Cristalina – GO – BR 040, onde encontramos um grupo – Barney e mais dois integrantes do Candancylcles - que estavam seguindo na mesma direção, pelo menos até Araguari – MG – BR050, porém cada um segue no próprio ritmo. A chuva cai pouco e rodamos rápido. Até Uberlândia – MG a viagem pareceu. Após esta cidade foi que o roteiro começou a entrar na veia. Parecia uma viagem solitária apesar do moto-compaheiro. Uma diferença nas viagens de moto que faz diferença é a possibilidade de sentir com mais intensidade os ‘cheiros’ da estrada, como já relatei outras diversas vezes: o irritante cheiro do pequi, cheiro de mato, pois a chuva deixou tudo mais verde. Passando entre Minas e por São Paulo o forte cheiro adocicado de abacaxi durou entre as cidades de Prata MG e Nova Granada – SP – BR153, esta BR mesmo com cobrança de pedágio não é uma rodovia confortável para moto, em alguns trechos trepida um poucopor várias cidades. Neste trecho aA Shadow apagou e voltou a funcionar. Dormimos em Jaguaraira – SP (?)
Dia 08/01
De volta a estrada, parando pouco e sem chuva. Novamente a Shadow apagou e não funcionou mais, como suspeitávamos que não estava passado gasolina após o nível da reserva, fui a até Conselheiro Marlink -– SP- BR153, 13 Km a frente, buscar gasolina enquanto o moto-companheiro ficou na estrada. Era defeito da bomba de gasolina, ela foi retirada, ali no meio da estrada mesmo e a moto funcionou bem. Voltamos para Santo Antonio da Platina – SP para achar uma oficina, apesar de ser sábado e tudo estar fechado, encontramos uma oficina e bomba foi consertada e o animo refeito. De volta para a uma BR, próxima a cidade de Ventania – PR – BR 153, cheia de curvas nos trouxe animação depois de trechos com retas. Rodávamos bem até ver o transito parado nos dois sentidos, um acidente realmente feio, com três carros praticamente destruídos juntamente com seus passageiros, notamos um pedaço do um carro a mais de cento cinqüenta metros tamanha a violência do choque. Um dos carros envolvidos era do povoado e muitos moradores do povoado estavam ao redor dos carros e corpos uns paralisados, uns desesperados, uns chorando ou revoltados. Conseguimos passar pelo bloqueio e seguir.
Dia 09/01
Saímos de Ponta Grossa – PR com tempo nublado e frio. Logo o sol abriu, e fez muito calor. Outro acidente ilógico recém acontecido no caminho. Saímos da BR novamente passando por Palmeira – PR 151, Porto Amazonas, Lapa e Campo do Tenente – PR. Trecho de pequenas e grandes propriedades com milho, feijão, porcos e gado, infelizmente poucas araucárias. Ao entramos na BR257 pagamos de pedágio R$ 5,50 reais e usamos 1Km da rodovia apenas. Pegamos a BR 116 tentando chegar em Caxias do sul – RS. Transito pesado com muitos caminhões. Antes de Lages, paramos na estrada para colocar capas de chuva e um tatu cruzou a estrada, tentei pegá-lo para fotos, mas não houve cooperação do bicho, rsss, levei um baile do danado. Em Lages, abastecemos, logo na saída um carro travou a rodas e quase bateu na traseira da minha moto. Não sei por que o motorista deste carro ficou fazendo pressão assim que voltamos para a BR116, como eu estava atrás, foi stress duro, seis vezes ele simulou jogar o carro em cima da moto, o jeito foi parar e esperá-lo tomar uma distância. O trecho antes e depois da divisa dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul é um capitulo a parte, com poucos pontos de ultrapassagem. Descemos de segunda marcha todo tempo e debaixo de chuva, atrás de uma carreta obviamente muito lenta e queimando tambor de freio, tudo bem. Este pedaço dá vontade de subir e descer varias vezes. As videiras e quiosques de venda de uvas e queijo mostravam a proximidade de Caxias do Sul. Muitas curvas fechadas e emoções para moto custom. 8:30 chegamos na cidade ainda com pouco de claridade.
Dia 10 e 11/01
A manhã em Caxias do Sul – RS, foi de cuidado com as meninas. Troca de óleo na Shadow e para variar a Yamaha não tinha filtro de óleo para a MId, mais a concessionária muito prestativa, conseguiu em outra cidade que estava no nosso caminho. Saímos rápido para rodar os 300 Km de estrada – BR287 com trecho sinuoso até Santa Maria - RS . Chegamos pouco antes da loja fechar, filtro trocado, partimos e dormimos em Rosário do Sul – RS – RS154. Dia 11 partimos para Santana do Livramento – RS / Rivera – Uruguai – RS158/BR158, passamos pela imigração com direito a tratamento gentil de um funcionário e estudo por parte de outra funcionaria. Na estrada para Tucuarenbó – UR – Ruta5 teve chuva muito forte por 70 Km, a água foi achando caminho pela capa e bota. Solicitamos informações junto a Policia Camimera e algumas funcionários em postos de fiscalização e fomos muito bem tratados em todas a situações. Somente o moto parceiro decidiu almoçar e pegamos a estrada – Ruta26. 34KM depois de Tacuarenbò decidimos mudar o destino para a Serra do Rio do Rastro – SC, a viagem não estava legal. Voltamos por Rosário do Sul (sem stress)
Dia 12/01
Saímos decididos a rodar os 700 Km entre Rosário do Sul e Lauro Muller –SC, estrada boa, via Porto Alegre – RC, via BR 290, Almoçamos em Arroio dos Ratos - RS (curioso nome, não nos aventuramos saber porque). Após Porto Alegre - BR 101- pagamos o primeiro pedágio no RS, que até então era liberado para motos. Rodamos por alguns Kms com um motociclista de Campo Grande – MS numa Shadow 600 que viaja sozinho e pediu para rodar um pouco com a gente, creio que ele achou nosso ritmo lento e desenrolou o cabo.
Chegamos em Lauro Muller e descobrimos que a cidade não tinha hotel ou pousadas, outro fato curioso. As opções seriam uma pousada que funcionava em um bar ou um hotel no inicio da serra, este era bem simples, decidimos ir para a próxima cidade, Bom Jardim da Serra – SC 20 Km a frente – SC 438 passando pelas curvas da serra, somente descobrimos após entrar nela. Foi pura emoção e pura adrenalina, já estava anoitecendo e com muita serração e alguns caminhões subindo. Escureceu rápido e a serração em alguns pontos deixava apenas uns vinte metros de visibilidade. O frio também aumentava a medida que subíamos. As partes que conseguíamos ver quando a serração permitiu deixou a certeza da beleza que a televisão e vídeos na WEB não mostram. A sensação de subir o percurso sinuoso pela primeira a vez no escuro com serração e sem saber se encontraria hotel do outro lado não me deixou tranqüilo, mas valeu
Conseguimos um quarto improvisado em uma pousada, Graças a Deus. Não restava outra opção. Seriamos forçados a descer a serra até o primeiro hotel ou seguir 50 Km até São Joaquim – SC sem conhecer a estrada, seriam duas opções ruins e a noite já estava fria, 17 graus.
Dia 13/11 SRR
Um rápido café e subimos para sentir a SRR com calma e durante o dia. Tentamos sair rápido antes que a serração que começava a se formar no alto da serra. Rodamos os 10 km separavam a cidade do trecho de serra. Iríamos descer direto e depois subir fotografando, mas com receio de perder para a serração, descemos fotografando parando em quase todos os refúgios construídos para este fim.
A cada ponto de parada uma nova e maravilhosa paisagem se formava. É uma das mais belas paisagens que já vi, ali estrada, montanha e gente estão em quase equilíbrio. A estrada não foi um dano, onde não tem concreto da pista, a mata ocupava o lugar que lhe pertence.
Chegamos na parte mais baixa, onde a placa indica inicio da SRR, e iniciamos a subida sem paradas. Com sol quente e em instantes o frio surgiu e uma serração diminui a visibilidade, É incrível com muda rápido – já estava de jaqueta e sentido um pouco de frio. Chegando ao topo não se podia ver mais nada abaixo que não estivesse ao poucos metros, as fotografias feitas durante a descida salvaram o dia. De volta á cidade o moto-parceiro tomou a decisão de seguir para a cidade onde estava o filho dele, então rodaríamos juntos até próximo á cidade de Ponta Grossa – PR. Passando por Lages – BR 116 parando para trocar óleo, já estava anoitecendo e não conseguimos chegar, ficamos em Campo do Tenente – PR para dormir.

15/11
Parti de Marilia – SP em ritmo mais lento e sem a obrigação de chegar no mesmo dia, muitas paradas causadas pelo desconforto causado pelo banco e que já estava causando dor, transito lento em Araguari – MG - BR 060 causado pelo transporte de cargas pesadas. Em Catalão – GO algumas pessoas perguntando sobre a moto e de onde estava vindo, foram constantes estas perguntas em quase todas as paradas da viajem. Cheguei em Cristalina – GO as sete horas e estava um pouco claro e chovendo, por conhecer o percurso decidi chegar em casa, a chuva dificultava a visão então essa não foi a melhor decisão embora a distância fosse curta. Duas horas gastas neste trajeto final.
6.070,8 Km e mais algumas historias para contar até a próxima viajem.
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